Mesmo depois de repudiar o “golpe”, Evo Morales faz visita de Estado a Temer

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Mesmo depois de repudiar o “golpe”, Evo Morales faz visita de Estado a Temer

Em 30 de agosto do ano passado, um dia antes de o impeachment de Dilma ser aprovado no Senado, o presidente da Bolívia, Evo Morales, escreveu nas redes sociais que “se prospera um golpe parlamentar contra o governo democrático de Dilma”, a quem costumava chamar de “irmã”, e que a Bolívia “defende a paz e a democracia”. Ele disse ainda, na época, que retiraria o embaixador do país no Brasil, José Kinn, se o impeachment se concretizasse – a atitude é vista como um passo ao rompimento entre nações na linguagem diplomática. Temer assumiu a Presidência, mas a ameaça não se concretizou.

Mesmo com essa visão, Morales realizou visita de Estado ao presidente Michel Temer nesta terça-feira (5) no Palácio do Planalto. Ele foi recebido por Temer no alto da rampa do prédio. Ambos ouviram os hinos brasileiros e bolivianos e foram apresentados às respectivas comitivas. Depois dos cortejos, seguiram para reuniões fechadas e almoço no Palácio Itamaraty, sede do Ministério das Relações Exteriores na capital federal.

Em discurso de brinde no Itamaraty, Temer afirmou que os países compartilham não apenas uma fronteira extensa, mas também “fortes vínculos históricos e humanos“. Segundo o presidente brasileiro, a parceria entre Brasil e Bolívia é de longo prazo baseada na amizade entre os povos e interesses comuns. “O diálogo e o respeito mútuo trazem sempre resultados muito positivos“, falou.

Morales ressaltou que a “Bolívia necessita do Brasil” e visa a recuperação econômica e a industrialização do país. Ele também citou a necessidade de se construir o trem que partiria do Brasil e cortaria a Bolívia até chegar ao oceano Pacífico. O país vizinho não tem ligação com o mar e pleiteia um caminho ao Pacífico. No entanto, o memorando de entendimento firmado nesta terça ainda não tem valor legal de compromisso final.

Apesar das críticas já feitas a Temer, Morales amenizou quaisquer rusgas ao governo brasileiro atual e agradeceu a “hospitalidade” em Brasília.

Embora tenha chamado o impeachment no Brasil de “golpe”, agora é Morales quem é chamado de “golpista”. Políticos da oposição criticam as supostas tentativas dele em continuar no poder e falam, inclusive, em “instauração de ditadura”. No final do mês passado, Morales elogiou o ditador da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang Nguema, ao condecorá-lo em La Paz e pediu que este compartilhasse a experiência de vencer todas as eleições com mais de 90% de aprovação.

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