“Script de novela para tentar anular a Lava Jato”, critica Francischini

O deputado Delegado Francischini condenou o que chamou de crime, ao se referir aos vazamentos divulgados pelo site The Intercept. No domingo (9), foram publicados trechos de mensagens que seriam entre o ex-juiz e atual Ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, e procuradores envolvidos na Operação Lava Jato.

A entrevista do deputado foi concedida ao Jornal Folha de Londrina, na tarde desta segunda-feira (10). O parlamentar já havia declarado seu apoio através das suas redes sociais e definiu o episódio como um “script de novela para tentar anular a operação Lava Jato”. Acompanhe os principais trechos da entrevista.  

CRIME – Na nossa visão não foi um vazamento, foi um crime e quem está dando divulgação está cometendo um crime. Qual controle nós temos de que não tem montagem, coisa plantada para dar divulgação? Estamos dando voz a divergências políticas e pessoas que querem levar a política para dentro da Operação Lava Jato, em um blog totalmente vinculado à esquerda. Blog do marido de um deputado do PSOL, que substitui Jean Wyllys, uma pessoa que já tem uma série de problemas com vazamentos.

(O dono do site Intercept é o jornalista americano Gless Greenwald, marido de David Miranda, que como suplente assumiu a vaga de Jean Wyllys na Câmara).

LEI – Temos a Lei 9.296, que regulamenta o crime de interceptação clandestina de comunicações. Não apenas de telefone, mas de dados também e neste caso invadiram o celular de um ministro da Justiça, que era o juiz principal da Lava Jato, e de procuradores da Justiça que faziam as investigações.

CRIME CONTRA A DEMOCRACIA – Não é um escândalo das conversas entre o Moro e o (procurador Deltan) Dalagnon, é o escândalo de um crime contra a democracia do país, que é invadir as comunicações de autoridades extremamente respaldadas e com credibilidade sobre a opinião pública.

DÚVIDAS – Até agora não sabemos se são verdadeiras ou não. Coisas novas devem aparecer nisso que parece um script de novela para tentar anular a Operação Lava Jato. Montagem política, na qual não confio e tenho dúvidas sobre a veracidade É uma matéria que requer uma perícia. E a perícia vai vir de onde? De um crime?

REBELADO – Congresso tinha de estar agora rebelado diante da invasão contra autoridades de estado e não fazendo análise de um material oriundo de crime, sem a confirmação expressa de que aquele material é real.

É um absurdo e tenho levantado a voz para não aceitar agora pessoas interessadas politicamente e criminalmente a afetar a Lava Jato, que são investigados ou futuros investigados.

SUPREMO – O Supremo Tribunal Federal tem noção da importância da Lava Jato não só sobre crimes cometidos aqui, mas também investigados em outros países. Ex-presidentes de outros países presos, investigações em outros continentes como na África, Europa. Alcance imenso e o Supremo vai em direção da população. Isso se chegar uma demanda lá. Esse é um caso de crime de primeira instância de apurar quem quebrou o sigilo do ministro e dos procuradores

TEOR DAS CONVERSAS – Teor normal entre delegados, procuradores e juízes que trabalham na área criminal. É comum ter conversas. Não vejo nada como ‘ah, vamos montar uma prova contra ele’. Não são detalhes essenciais de conteúdo, então não tem influência nenhuma na atuação, independentemente de ser do Judiciário ou do Ministério Público.

LULA – Estão tentando trazer à tona um fato político para influenciar julgamentos futuros, inclusive às vésperas do julgamento da liberação do Lula. Para mim tem toda uma interligação desses fatos para beneficiar o Lula, como se fosse um perseguido. Por isso (divulgação) não saiu antes ou depois

PAUTA DO CONGRESSO – Não deve atrapalhar o Congresso Nacional, pois são pautas distintas.