Segundo Folha de São Paulo, Moro deu decisão técnica e difícil de ser questionada

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Segundo Folha de São Paulo, Moro deu decisão técnica e difícil de ser questionada

Ao rejeitar parte da denúncia, Moro fortaleceu sentença

CARLOS ARI SUNDFELD
ESPECIAL PARA A FOLHA

 

Moro foi técnico no processo penal em que condenou Lula. Era natural que a importância do caso e a postura agressiva da defesa fizessem o juiz tomar cuidado no relato e análise do processo e dos fatos apurados. A sentença saiu longa e bem elaborada, como esperado, e não deixou muito espaço para uma anulação por falhas apenas formais.

Houve absolvição quanto ao que, ironicamente, o ex-presidente havia chamado de “tralhas”. A OAS de fato pagou de forma oculta as despesas com o armazenamento. E Moro não deixou de anotar que isso estava errado. Mas não bastaria para se falar em corrupção. É que não se demonstrou a ligação entre esses pagamentos e alguma atuação irregular de Lula como autoridade pública. Também não ficou claro o caráter pessoal do benefício. Ao rejeitar essa parte da denúncia, a sentença acabou se fortalecendo contra o discurso da defesa, que durante todo o processo vinha tentando desacreditar o juiz, chamando-o de político e parcial.

Mas houve condenação quanto ao tríplex. Qual a diferença? Para desqualificar a acusação de que fosse o dono do apartamento, Lula colocou ênfase no argumento de que não havia qualquer escritura em seu nome. Sempre foi um argumento frágil, apenas formal, mas fácil de entender e muito útil para a militância. Mas era previsível que o juiz não se impressionasse, até porque corruptos sempre ocultam com terceiros os bens que adquirem com seus crimes. Isso, aliás, é lavagem de dinheiro, outro crime.

Mas a base da condenação não é propriamente a fragilidade da defesa formal na questão da propriedade. Lula também se defendeu dizendo que se limitara a visitar o apartamento como possível comprador, mas não tinha gostado do que viu. Aí as inúmeras provas falaram mais alto, segundo a sentença: as relações da família de Lula com o apartamento ficaram comprovadas não só pelas testemunhas e documentos, mas também pelos detalhes da reforma personalizada. É verdade que a demonstração de Moro impressiona, mas é claro que o recurso vai tentar chamar atenção do tribunal para outra leitura dos mesmos fatos. Aí serão outros juízes, outras cabeças.

O último ponto importante da sentença foi o exame da ligação entre o tríplex e o propinoduto que, a partir de contratos com a Petrobras, teria sido montado pela OAS com o grupo político de Lula. Há muitos elementos de prova quanto a isso, segundo a sentença. O ponto mais delicado, em que o tribunal vai ter de se dedicar com equilíbrio, foi a conclusão quanto à liderança e o envolvimento de Lula. Os executivos da OAS disseram que o tríplex foi descontado da conta da propina do PT. Moro levou isso em consideração na leitura de outras provas, que deram indicações no mesmo sentido. Mas é um ponto difícil, que o recurso vai atacar.

CARLOS ARI SUNDFELD é professor titular da FGV Direito SP (Folha de São Paulo)

1 Comentário

  1. Manoel Medeiros disse:

    Moro, como sempre, foi perfeito … 9 dedos e 1 cotoco …
    .
    Também gostaria de ver o Lula preso, mas essa nossa Suprema Justiça não é confiável, por isso acho que com ele condenado e solto, temos a vantagem dele mesmo continuar se enterrando cada vez mais, como já está fazendo.
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    Pra que correr riscos?
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    Prefiro até que ele se candidate, ganhar ele não ganha mais nada … não tem 10% dos votos, vai ser a derrocada total para o PT e quem estiver com ele no palanque.
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    Soldado que vai a guerra não pode ter medo de morrer.
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    Ah … quanto ao Temer, temos tempo, o que sobrar de verdadeiro desta tramóia que seja investigado com todo rigor,
    mas derrubá-lo com essa marmelada que o Janot e a JBS montaram, só vai atrasar o Brasil, na sequência vai o “bola” da vez e o joguinho recomeça, tudo em função de “Diretas Já”, que ferem nossa Constituição.
    .
    Quanto ao “Politicamente Correto” que se exploda, é apenas uma armadilha que a esquerdalha usa contra seu detratores …
    eles não tem o mínimo constrangimento em quebrá-lo, inclusive apoiando abertamente um condenado.

    Na verdade serve apenas para oprimir as pessoas de bem quando usado assim, de maneira assimétrica.

    Nivelar a todos é como, numa guerra, responsabilizar e condenar generais e soldados as mesmas penas.
    São diferentes porque existem aqueles que executam ações por opção e outros por obrigação.

    Se alguém constestar argumentando que ninguém é obrigado é fazer nada,
    espere para ver o que o ser humano é capaz de fazer quando sua vida ou dos seus, estiverem em risco.

    Se já não nos faltam loucos em tempos de paz, imagine em tempos de guerra.

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