Sérgio Cabral recebia 5% de faturamento em obras no Rio de Janeiro

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Sérgio Cabral recebia 5% de faturamento em obras no Rio de Janeiro

Nos depoimentos ao juiz federal Marcelo Bretas na segunda-feira (4), detalhando o pagamento de propinas a políticos, envolvendo obras do Rio de Janeiro, tais como a reforma do estádio do Maracanã, do Parque das Favelas e do Arco Metropolitano, que ocorreram no âmbito da Operação Crossover (desdobramento da Lava Jato no Rio), os executivos descreveram com detalhes o esquema de manipulação de editais e o direcionamento das licitações, que garantiam a divisão das obras entre determinadas empreiteiras. Segundo os depoimentos, Sérgio Cabral pedia uma propina de 5% sobre o faturamento dos empreendimentos, sendo que o esquema entre empresas e governo era realizado pelo ex-secretário Wilson Carlos.

O proprietário da construtora Delta, Fernando Cavendish, afirmou que sua empresa conseguiu se envolver na obra do estádio do Maracanã depois que pagou uma joia para a mulher de Cabral, Adriana Ancelmo, durante uma viagem a Paris em junho de 2009. Segundo ele, o ex-governador pediu para que pagasse o presente à sua esposa em razão do seu aniversário.

“Nós tínhamos uma proximidade, viajávamos juntos, nada a ver com as questões públicas. Então, na viagem de 2009, já tínhamos essa convivência. (…) Mas houve a viagem [para a França], aniversário da Adriana [ Adriana Ancelmo , mulher de Cabral] e em um certo momento ele me chamou para dar uma volta e tratar de um assunto. Entramos em uma joalheria, explicou que estava dando um presente para Adriana e disse que gostaria que eu pagasse”.

A joia custou nada menos que 220 mil euros. Na época, o empresário diz ter deixado claro que “não estava dando um presente e que o pagamento seria acertado no futuro”. Assim, no final do mesmo ano, os dois acertaram a participação da Delta no consórcio do Maracanã. “A colocação que o governador fez na mídia outro dia, de que a joia foi um presente meu, isso não existe. Foi um negócio”, contou. Posteriormente, o valor da joia também teria sido abatido do cálculo da propina de 5% cobrada sobre o faturamento da obra.

No Parque das Favelas, além da taxa de 5% cobrada pelo governador, houve ainda a cobrança de 1% em parcelas mensais durante os 24 meses do contrato. Essa propina foi apelidada de “taxa de oxigênio”. Segundo Marcos Vidigal, a Odebrecht pagou cerca de R$ 80 mil reais por mês.

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